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terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Pedido de esclarecimento enviado a 19/02





Exmo. Senhor Vereador José Sá Fernandes

Perfazendo exactamente um ano sobre a entrega, em reunião pública de câmara, da nossa "Petição pela reintegração da Avenida da Liberdade no Corredor Verde de Monsanto”, altura em que nos informou pessoalmente do resgate pela CML de espaço público da Av. da Liberdade, mais concretamente sobre a manutenção dos seus espaços verdes (canteiros, árvores, lagos),constatamos que a situação se encontra como as imagens em anexo demonstram: uma vergonha. Serve o presente, portanto, para solicitarmos a V.Exa. esclarecimentos quanto à efectiva, ou não, transferência temporária de tutela e qual o seu efeito prático até agora. Preocupa-nos particularmente a manutenção do coberto arbóreo desta Avenida, que conforme nos confirmou, é  parte integrante do corredor verde de Monsanto.

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Recordando um jardim que está em perigo (II)






Um texto sentido de Ana Alves de Sousa, escrito para para o projecto “Memórias das Avenidas” antes da tragédia se ter abatido sobre o jardim do Palacete Mendonça, que é também um justo agradecimento ao Eng. Rui Romão uma pessoa cujo pensamento está cheio de jardins* e que nos últimos 25 anos se dedicou de alma e coração a este jardim maravilhoso.
* O que é que se encontra no início? O jardim ou o jardineiro? É o jardineiro. Havendo um jardineiro, mais cedo ou mais tarde um jardim aparecerá. Mas, havendo um jardim sem jardineiro, mais cedo ou mais tarde ele desaparecerá. O que é um jardineiro? Uma pessoa cujo pensamento está cheio de jardins. O que faz um jardim são os pensamentos do jardineiro. O que faz um povo são os pensamentos daqueles que o compõem.
Rubem Alves, 2002

O jardim do Palacete Mendonça
Avós e Netos de Mãos Dadas

Agradecimento

Ao Eng.º Rui Romão por tudo o que nos ensinou, pelo extraordinário exemplo de perseverança, amor e respeito pela natureza, por todo o trabalho que realizou neste jardim centenário durante mais de 25 anos.


Quando eu era pequena a minha Mãe falava-me das visitas que em tempos fizera com o seu Avô paterno a um palacete rodeado por um grande parque que ficava relativamente perto da casa onde ambos viviam, na Avenida António Augusto de Aguiar. Recordava sobretudo o jardim e a quinta, o moinho de vento, a água que escorria de cascatas forradas de fetos e de avencas, os túneis de buxo e, a meio da tarde, os chás e as bolachinhas servidos ao ar livre na sombra cheirosa de um caramanchão coberto de rosas de Santa Teresinha.

O palacete pertencia a Carolina e a Henrique de Mendonça, proprietários de roças em São Tomé. Sem ter certezas, penso que essas visitas dever-se-iam ao facto de Henrique de Mendonça ter sido, entre 1913 e 1925, Vice-Governador do Banco Nacional Ultramarino e de o meu Bisavô ter inaugurado a agência de Quelimane desse mesmo banco em 1902 e, anos mais tarde, ter sido responsável pela agência de Lourenço Marques. Assim sendo, existiria uma relação profissional que justificava esses encontros, bem como uma eventual amizade resultante do facto de terem ambos uma paixão imensa por África e de aí terem trabalhado e passado largos anos das suas vidas. Fosse por que razão fosse, o meu Bisavó era visita da casa. A minha Mãe acompanhava-o sempre que possível e essas tardes de passeio de mão dada com o seu Avô ficaram gravadas na sua memória.

Quando, em meados dos anos 60, viemos morar para o Bairro Azul, eu costumava passar rente ao muro do Palacete Mendonça, a caminho do Liceu Maria Amália. Espreitava através do gradeamento de ferro forjado e imaginava como teriam sido os tempos em que a minha Mãe brincava naquele enorme parque murado que parecia agora meio abandonado e selvagem, quase como se de uma floresta tropical se tratasse.

Durante muitos anos o jardim permaneceu inacessível até que finalmente, nos anos 90, a Universidade Nova, então proprietária do palacete, celebrou um acordo com a Câmara Municipal de Lisboa: os serviços camarários responsabilizar-se-iam pelo arranjo e limpeza do parque e, como contrapartida, este passava a ser público mediante a apresentação de uma identificação. Anos mais tarde, a Fundação Calouste Gulbenkian emprestou à Universidade 13 esculturas que foram estrategicamente colocadas em diferentes pontos do parque, convidando à sua descoberta.

Pouco a pouco, o parque recuperou a sua beleza e dignidade e a minha Mãe voltou a passear pelo jardim da sua infância, agora de mão dada com os seus Netos.

O parque do Palacete Mendonça é pois, para a minha família - tal como, certamente, para muitas outras pessoas - um espaço mágico e foi com enorme alegria que soubemos da sua venda à Fundação Aga Khan na convicção de que esta irá proceder não só ao restauro do edifício mas também do parque e mantê-lo aberto à população, tal como esperado e noticiado. Deste modo, permitirá que aqui se renove essa maravilhosa cadeia de mãos dadas de tantas gerações e o Parque do Palacete Mendonça continuará a fazer parte da memória passada e futura de todos nós.

Ana Maria de Mendonça T.S. Alves de Sousa

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Carta Aberta a Sua Alteza o Príncipe Aga Khan



Perante a constatação de um brutal abate de árvores de grande porte no jardim ( classificado ) do Palacete Mendonça e o consequente silêncio das entidades públicas responsáveis, fazemos um apelo ao novo proprietário.




Your Highness Prince Aga Khan,

We are writing you with an urgent plea, taking into consideration the Foundation's legacy in regards to the rehabilitation of gardens and parks as well as the restoration of historic buildings all over the world.



We ask you to, please, stop the knocking down of hundreds of centenary trees, namely Celtis australis, in the gardens of the Foundation's future headquarters, in Lisbon. Along with the construction of a garage and a lake, these acts will certainly compromise the future of other trees in the park, such as the ensemble of dragon trees (Dracaena draco). This park is classified as of "Public Interest", according to Portuguese law, which gives the dimension of the important patrimony the Foundation has in hands.

We also call your attention to the reformation works inside the Palace Mendonça itself. This palace was conceived by one of the most important Portuguese architects of the beginning of the 20th century, Ventura Terra, and it stands for the most accomplished Art Nouveau buildings in Portugal. Any changes to its structure will compromise the coherence of the whole and examples of this architectural style do not abound in our country.

What is happening both in the park and the building does not live up to the standards the Foundation has put in other projects elsewhere and this is the more intriguing when what is at stake are its headquarters that should stand as a showcase of the Foundation's standards.

We kindly ask Your Highness for your intervention in stoping the destruction of Portuguese patrimony.
Thank you for your time and consideration.

Yours sincerely,
Plataforma em Defesa das Árvores
Fórum Cidadania Lx
Comissão de Moradores do Bairro Azul
Vizinhos das Avenidas Novas
Rui Romão (former Gardner of Palace Mendonça)
Associação de Moradores das Avenidas Novas de Lisboa


quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Arboricídio (de interesse público)



Jardins do Palacete Mendonça em  Abril de 2017



Jardins do Palacete Mendonça, Hoje

Estamos baralhados! Este palacete e o respectivo Jardim não são património de interesse público? 
(fomos impedidos de fotografar no local)

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Menos árvores, mais torres


Em Outubro de 2015, quando o Presidente da CML discutia na AML o projecto da autarquia para o eixo central (Fontes Pereira de Melo/Av. da República ), prometendo mais árvores e menos carros, mais espaço para peões e melhor qualidade de vida na cidade. As obras da polémica torre de 17 andares em Picoas já tinham arrancado, sem estarem resolvidas várias questões que deveriam preceder o início dos trabalhos.

Meses mais tarde a legalidade da obra é posta em causa, quando o deputado municipal Ricardo Robles denuncia, "a expansão da construção do edifício além dos limites legais do lote e a posterior tentativa de camuflagem da ilegalidade por parte da Câmara Municipal de Lisboa". Em causa estava a utilização, pelo promotor da obra, do espaço de passeio público da Fontes Pereira de Melo, o tal espaço público que a autarquia prometia aos Lisboetas requalificar com mais árvores e e menos carros, e que, como consequência desse "erro de cálculo",  foi privatizado para facilitar a construção do estacionamento de um edifício cujo interesse para a cidade é até hoje discutível e que certamente inviabilizará a existência das prometidas árvores nesse troço da Av Fontes Pereira de Melo.

Nas traseiras e restantes envolventes do edifício, também a coisa não foi resolvida atempadamente nem de forma clara. Num processo confuso e bastante obscuro que implica, concessões, património classificado, estacionamento subterrâneo, reformulação de arruamentos, gestão de tráfego e até de uma nova e surpreendente obra no âmbito do programa "uma praça em cada bairro", constatamos que muito do espaço público será adaptado antes às conveniências dos donos da torre do que aos interesses e qualidade de vida dos restantes cidadãos. Só assim se explica que sem que os Lisboetas tenham sido consultados, seja agora imposto pela CML  o abate (mascarado de transplante) de dezenas de árvores adultas e saudáveis existentes no local.

Mais uma vez a CML, prepotentemente, determina o abate indiscriminado e ilegal do património arbóreo da cidade em nome de uma obra, só que desta vez a obra é privada e polémica e como tal este abate, que pode ocorrer a qualquer momento porque foi solicitada licença para prescindir dos prazos legalmente estabelecidos no despacho camarário 60/P/2012, é, para além de ilegal e incoerente,  infame!


O aviso, ainda pouco fundamentado, foi apenas publicado pela Junta de Freguesia das Av. Novas(e não pela Câmara como seria expectável),  e pode ser consultado aqui, dá conta do abate de árvores na Rua Pinheiro Chagas, e na Av. 5 de outubro, mas após consulta a peças públicas do projecto, tememos que possam ser mais extensos. Já foi enviado, pela Plataforma em Defesa das Árvores, um pedido de esclarecimento ao Vereador Manuel Salgado.

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

É esta a qualidade de vida que queremos?

Guimarães
Princípio geral da Lei de bases do ambiente

1 - Todos os cidadãos têm direito a um ambiente humano e ecologicamente equilibrado e o dever de o defender, incumbindo ao Estado, por meio de organismos próprios e por apelo a iniciativas populares e comunitárias, promover a melhoria da qualidade de vida, quer individual, quer colectiva.